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Os azuis na pintura de Nuno Gonçalves

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Referência José Mendes, António João Cruz, António José Candeias, José Mirão, “Os azuis na pintura de Nuno Gonçalves”, in Begoña Farré Torras (ed.), IV Congresso de História da Arte Portuguesa, Lisboa, Associação Portuguesa de Historiadores da Arte, 2014, pp. 225-231
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Resumo De acordo com o estudo laboratorial publicado em 1974, os pigmentos azuis utilizados por Nuno Gonçalves, a avaliar pelos resultados obtidos para o painel dos Cavaleiros, limitavam-se à azurite – provavelmente o pigmento azul mais frequente na pintura europeia do século XV. Esta também foi a conclusão obtida a respeito das duas outras pinturas portuguesas de Quatrocentos analisadas na mesma ocasião. Porém, o uso exclusivo da azurite e, portanto, o não uso de azul ultramarino, embora esteja de acordo com a informação mais tardia (1615) de que este não era usado em Portugal devido ao seu elevado custo, não parece coerente com a qualidade e a importância do políptico de São Vicente. Com efeito, o azul ultramarino, preparado a partir de uma pedra semi-preciosa (lápis-lazúli) proveniente do actual Afeganistão, tinha um preço comparável ao do ouro, era o mais estimado dos pigmentos e o seu emprego em pintura, pelo prestígio que conferia, era indispensável nas obras de maior relevância e indissociável destas. O estudo laboratorial que está a ser realizado sobre as pinturas de Nuno Gonçalves, não apenas as que constituem o políptico de São Vicente, mas também as que integram a série dos Quatro Santos e as que restam dos Martírios de São Vicente, mostra, no entanto, que, além da azurite, Nuno Gonçalves efectivamente utilizou com abundância o azul ultramarino. Tal como se pretende apresentar nesta comunicação, mostra também em que motivos e de que forma foram usados os dois pigmentos azuis (por exemplo, seguindo procedimentos comuns na Flandres), bem como o envolvimento dos pigmentos azuis no que parece ser uma hesitação ocorrida durante a pintura da figura que se repete nos dois painéis centrais do políptico de São Vicente, a qual, além de eventualmente poder estar relacionada com questões iconográficas, pode ser relacionada com a sequência de execução desses dois painéis.
Nota Esta publicação teve origem numa comunicação oral apresentada no IV Congresso de História da Arte Portuguesa, da Associação Portuguesa de Historiadores da Arte
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