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Pigmentos e corantes das obras de arte em Portugal, no início do século XVII, segundo o tratado de pintura de Filipe Nunes

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Referência António João Cruz, “Pigmentos e corantes das obras de arte em Portugal, no início do século XVII, segundo o tratado de pintura de Filipe Nunes”, Conservar Património, 6, 2007, pp. 39-51
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Resumo O tratado sobre a Arte da Pintura de Filipe Nunes, publicado pela primeira vez em 1615, é uma obra de grande importância para o estudo dos materiais e das técnicas empregues na pintura em Portugal no século XVII, especialmente na sua primeira metade. Porém, os pigmentos e os corantes aí mencionados nem sempre são de fácil identificação devido às mudanças de nomenclatura que entretanto ocorreram, pelo que o estudo realizado pretendeu fazer o levantamento desses materiais e estabelecer a sua correspondência com as actuais designações. Nos casos em que essa identificação não é evidente, considerou-se a informação proporcionada pelo tratado, os estudos relevantes para o assunto já publicados e as fontes documentais tanto quanto possível da época. Desta forma chegou-se a um conjunto de 24 pigmentos e 10 corantes, ainda que subsistam dúvidas a respeito de alguns, que constitui um quadro de referência que será útil ter em conta quer na análise das obras de arte, quer nas intervenções de conservação e restauro, quer na interpretação de outros tratados. Adicionalmente, este estudo pôs em evidência a grande diversidade de corantes que podiam ser usados em obras de arte, o que, contrastando com as poucas identificações que têm sido efectuadas através de análise química de obras de arte, sugere uma linha de investigação que deverá ser objecto de redobrada atenção na qual os conservadores-restauradores terão um papel fundamental.
Abstract The painting treatise published in 1615 by Filipe Nunes, entitled Arte da Pintura, has great significance for the study of the 17th century Portuguese painting materials and techniques, especially for the first half of the century. However, the mentioned pigments and dyes are not always easy to identify due to the changes in nomenclature that have occurred since then. This study pretends to report those materials and to establish the correspondence between them and the modern names. Whenever the materials identification was not evident, several sources of data were considered: the details provided by the treatise, the studies already published relevant to the subject and several documentary sources, particularly those of the time. Although some doubts still persist about some names, 24 pigments and 10 dyes were identified. This study has provided information that will constitute a reference useful for the analytical study of works of art, the conservation treatments and the interpretation of other technical treatises. It has also brought to light the great diversity of dyes that might have been used in works of art, as opposed to the few cases where they have been identified by analysis. This suggests that redoubled care should be taken in scientific studies of works of art, where the information obtained by conservators-restorers should play an important role.
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