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Ciência e Conservação: Alguns problemas de uma relação frequentemente conflituosa, mas necessária

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Comunicação Conferência / palestra
Autores António João Cruz
Evento I Encontro Luso-Brasileiro de Conservação e Restauro, Universidade Católica Portuguesa, Porto
Local Universidade Católica Portuguesa, Porto, 25-26 de Setembro de 2011
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Resumo A Ciência e a Conservação mantêm uma frutuosa relação que, como é sugerido pela insistência com que o tema tem vindo a ser mencionado e tratado, cada vez mais, é mais proveitosa para as duas áreas. Porém, esta relação tem ocorrido, e ocorre, no contexto mais alargado da aplicação dos métodos laboratoriais à resolução de problemas de arqueologia, história e estudo das obras de arte que se tem desenvolvido desde a segunda metade do século XVIII, e muitos dos estudos resultantes dessa relação efectivamente só de um modo indirecto têm interesse para a Conservação.

De uma forma esquemática, essa relação tem-se concretizado de acordo com três modelos: solicitação ao laboratório, oferta do laboratório e colaboração. Os dois primeiros têm sido os mais frequentemente seguidos, sendo o da oferta do laboratório actualmente muito importante, mas as suas implicações directas na Conservação e Restauro, de uma forma geral, são as mais reduzidas. O modelo da colaboração, que começou a ser discutido a partir de 1930 e teve a sua primeira grande aplicação (coordenada por Paul Coremans) publicamente divulgada cerca de 20 anos depois, provavelmente é o mais proveitoso para a Conservação, mas, tal como os outros, debate-se com as dificuldades de comunicação entre as duas culturas (C. P. Snow) envolvidas. Estas dificuldades têm vindo a ser gradualmente combatidas em nome das vantagens resultantes da colaboração entre a Ciência e a Conservação, mas, por outro lado, nos últimos tempos têm-se acentuado com os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes.

Estes problemas relacionados com as duas culturas manifestam-se também na publicação dos estudos. Por um lado, tem surgido um significativo número de publicações em revistas internacionais de Química e de Física que, porém, se centram sobretudo na procura de novas áreas de aplicação de tecnologias desenvolvidas noutros contextos e que acabam por dar pouco importância às obras e aos seus problemas, além de serem de difícil leitura para os conservadores, e, por outro lado, são pouco atractivos para químicos e físicos os locais de publicação mais adequados ao desenvolvimento dos aspectos relacionados com as obras (por exemplo, problemas detectados e formas de os resolver, história material e caracterização técnica da obra intervencionada).

Não obstante estes problemas entre as duas culturas, os conservadores, com o seu conhecimento directo e profundo dos aspectos materiais das obras que tratam, podem directamente dar uma contribuição fundamental para a análise laboratorial, tal como é ilustrado pelo caso relacionado com a caracterização do aglutinante utilizado por Rembrandt.
Publicação Artigo (versão em inglês); Artigo (versão em português)
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