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Diálogo imperfeito: problemas de comunicação entre a ciência e a arte manifestados no estudo laboratorial da pintura portuguesa

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Comunicação Comunicação oral convidada
Autores António João Cruz
Evento Ciência & Arte, Núcleo de Conservação e Restauro (nCoRes) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
Local Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica, 23 de Outubro de 2002
Notícia  
Resumo Do diálogo entre conservadores, historiadores e arqueólogos, de um lado, e químicos, físicos, biólogos e outros interessados no património, do outro lado, raros são os ecos que chegam a terceiros. Em primeiro lugar, porque muitas vezes é privado esse diálogo e sem testemunhas que o relatem. Depois, porque os estudos daí resultantes poucas vezes são publicamente divulgados.
Com estas limitações, foi feito um pequeno levantamento dos problemas relacionados com esse diálogo tal como se manifestam em estudos publicados e relatórios de circulação limitada dedicados à pintura portuguesa. Tendo estas fontes origem no laboratório, põem em evidência sobretudo os obstáculos aí criados ou, pelo menos, os que aí encontram terreno propício ao seu desenvolvimento.

Sem qualquer pretensão de exaustão, os principais problemas detectados devem-se a:

obscurantismo: complicação desnecessária da informação tornando-a inacessível aos outros interlocutores; na sua forma mais suave traduz-se num estudo desajustado do meio de divulgação;

utilização das obras de arte: em vez de o estudo das obras ser o objectivo e as técnicas os meios para o atingir, há uma inversão de valores que, no mínimo, coloca obras e técnicas em pé de igualdade;

ausência de objectivos concretos: os estudos são inconsequentes por não estarem formulados e suficientemente desenvolvidos os problemas e consequentes objectivos das análises; é desperdiçada a oportunidade, rara, proporcionada pelo deslocamento das obras ao laboratório;

inexistência de dados de referência: as análises não conduzem a nada, ao contrário do que sugerem as aparências, por o problema (normalmente relacionado com a datação, a autoria ou a proveniência) implicar a comparação com dados seguros que possam ser usados como referência, não disponíveis;

preconceitos: resultados semelhantes são interpretados de forma oposta, conforme a opinião adoptada antes do estudo;

falta de crítica por pares: falhas metodológicas ou factuais não são detectadas por os estudos não serem sujeitos a qualquer sistema de arbitragem envolvendo terceiras pessoas em condições de avaliar pormenorizadamente o trabalho laboratorial realizado.
Publicação  
Documentação